Uma das coisas maravilhosas da Índia, são suas estórias! Histórias ou estórias essas que nos fazem nos conectar com nossas vidas e refletir sobre cada ato, atitude e pensamento.
“A Índia é um berço cultural da humanidade. Conhecer e contar suas histórias é como retroceder ao início de tudo”.
Com essas palavras do psicólogo e contador e autor de histórias infantis Ilan Brenman, conto aqui uma delas. A história do “Mendigo no banquete real”:
Nas histórias de sabedoria indiana, os sábios muitas vezes são confundidos com simples mendigos.
Assim acontece nessa história:
Na cidade de Bngalore, um exuberante banquete estava sendo preparado no suntoso palácio do rei. O primeiro-ministro deixou tudo pronto e organizado; todas as cadeirs estavam devidamente reservadas de acordo com a importância de cada membro da corto.
Assim que a porta principal da sala real foi aberta, um homem com sujeira no rosto, trajando roupas de mendigo, entrou e sentou-se na cadeira reservada ao rei.
Toda a corte ficou paralisada ao ver aquilo. O próprio rei sentiu-se desconfortável com a situação, mas, não querendo demonstrar sua mesquinhez, cutucou o primeiro-ministro e pediu que ele fizesse algo. O primeiro-ministro se aproximou do estranho e perguntou:
_Por acaso você é um nobre de alguma cidade vizinha?
Todos os presentes deram risadinhas maldosas ao ouvir a pergunta do primeiro-ministro.
_Não, meu posto é mais alto do que de qualquer nobre.
Respondeu o homem.
Ninguém esperava uma resposta como essa, e o clima da sala mudou; todos ficaram em silêncio, inclusive o rei, esperando pela próxima pergunta do primeiro-ministro.
_Por acaso seu posto é mais alto do que o de um primeiro-ministro?
_Meu posto é mais alto do que de um primeiro-ministro.
Respondeu o estranho.
O primeiro ministro começou a ficar com as bochechas vermelhas, e uma gosma branca começava a sair pelos seus lábios.
_Por acaso seu posto é mais alto de que de um rei?
O primeiro-ministro perguntou, olhando para Sua Majestade.
_Meu posto é maior do que de um rei.
Todos na sala viraram-se no mesmo instante e cravaram os olhos no rosto do rei. O soberano balançou a cabeça e com o dedo indicador ordenou que o primeiro-ministro continuasse.
_Por acaso o seu posto é mais alto do que o do próprio Deus?
Um silêncio brutal invadiu a sala; a respiração de cada convidado denunciava curiosidade e aflição.
_Meu posto é mais alto do que o de Deus.
O primeiro-ministro não suportou ouvir aquilo e gritou:
-NADA É MAIS SUPERIOR A DEUS!!!
O estrangeiro, com ares de mendigo, levantou-se, andou em direção ao primeiro-ministro e disse:
_Você acabou de desvendar meu posto:esse NADA sou eu.
NAMASTÊ
Claudia










